Melhores Cartões de Crédito para Viagem Internacional em 2026
Voltar ao blog
·10 min read·Equipe Lanzo

Melhores Cartões de Crédito para Viagem Internacional em 2026

Comparativo dos melhores cartões de crédito brasileiros para viagem internacional. IOF, acúmulo de pontos, salas VIP e transferências para programas aéreos.

cartõesviagempontos

Cartão de crédito é a ferramenta mais subestimada do viajante brasileiro

A maioria das pessoas escolhe cartão de crédito olhando anuidade e limite. Quem viaja com frequência deveria olhar outra coisa: quanto esse cartão devolve em valor real quando usado no exterior e na hora de transferir pontos para milhas aéreas.

Eu testo cartões de crédito há anos. Já tive cartão de quase todos os grandes bancos brasileiros. E a conclusão que cheguei é que a diferença entre um cartão bom e um cartão médio pode significar milhares de reais por ano em economia real -- entre pontos mais valiosos, IOF menor e acesso a salas VIP que você usaria de qualquer jeito.

Neste guia, comparo os principais cartões brasileiros para quem viaja internacionalmente em 2026. Foco em quatro critérios: acúmulo de pontos, parceiros de transferência, custos em compras internacionais (IOF e spread cambial) e benefícios de viagem.

Os critérios que importam

Antes de entrar cartão por cartão, vale alinhar o que realmente importa na hora de escolher.

Acúmulo de pontos por real gasto. Cartões variam de 1 a 3 pontos por real, dependendo da categoria e do banco. Mais pontos por real = mais milhas por mês = voos grátis mais rápido.

Parceiros de transferência. Não adianta acumular 200.000 pontos se você só consegue transferir para programas que não servem para suas rotas. O parceiro de transferência define o valor real dos seus pontos.

IOF em compras internacionais. Toda compra em moeda estrangeira no cartão de crédito brasileiro paga IOF de 4,38%. Isso é inevitável na maioria dos cartões. Mas alguns cartões oferecem cashback parcial que compensa parte desse custo.

Spread cambial. Além do IOF, o banco cobra um spread sobre o câmbio do dólar comercial. Alguns bancos são mais agressivos que outros. A diferença pode chegar a 2-3% sobre o valor da compra.

Salas VIP. Acesso a lounges em aeroportos brasileiros e internacionais. Pode não parecer essencial, mas quando você tem conexão de 5 horas em GRU, uma sala com comida, bebida e chuveiro muda a experiência.

Comparativo geral

Cartão Pontos/R$1 Programa Parceiros aéreos IOF Anuidade
Santander Amex The Platinum Card 2,5 Esfera Delta, KrisFlyer, Flying Blue, Hilton, Marriott 4,38% ~R$1.800/ano
BB Ourocard Visa Infinite 2,2 Livelo LATAM, Azul, TAP, Emirates, Smiles 4,38% ~R$1.200/ano
Bradesco Aeternum Visa Infinite 2,0 Livelo LATAM, Azul, TAP, Emirates, Smiles 4,38% ~R$1.500/ano
Itaú Personnalité Visa Infinite 1,5-2,0 iupp LATAM, Azul, TAP 4,38% ~R$1.000/ano
Nubank Ultravioleta 1,0 Nubank Rewards Smiles, LATAM, Azul 4,38% R$49/mês
C6 Carbon 2,5 (em átomos) C6 Átomos Smiles, Azul, TAP, Flying Blue 4,38% ~R$600/ano

Santander Amex The Platinum Card

O cartão que eu considero o melhor do Brasil para viajantes internacionais. Não é o mais barato e não é para todo mundo, mas para quem viaja 2+ vezes por ano para o exterior, a conta fecha.

Por que se destaca

Os parceiros de transferência da Esfera são excepcionais. Transferência 1:1 base para Delta SkyMiles, Singapore Airlines KrisFlyer e Air France/KLM Flying Blue. Esses três programas, sozinhos, cobrem praticamente qualquer destino do planeta. Delta para as Américas, KrisFlyer para Ásia e Oceania via Star Alliance, Flying Blue para Europa e África.

Além disso: Hilton Honors e Marriott Bonvoy para hotelaria. Se você transfere para Hilton durante bônus, os pontos rendem noites em hotéis que custariam R$800-1.500 por diária.

Acúmulo

2,5 pontos Esfera por real gasto em compras internacionais (1 ponto por real em compras domésticas na maioria das categorias, com bônus em categorias selecionadas). Isso significa que R$10.000 em gastos internacionais geram 25.000 pontos Esfera. Transferidos 1:1 para Delta durante bônus de 80%, viram 45.000 milhas Delta. Suficiente para um GRU-JFK em econômica.

Salas VIP

Acesso ao The Centurion Lounge (quando disponível), salas Plaza Premium e Priority Pass com acompanhante. O Priority Pass inclui duas entradas por visita.

Para quem vale a pena

Quem gasta R$5.000+ por mês no cartão e viaja internacionalmente pelo menos duas vezes por ano. A anuidade é salgada, mas o retorno em pontos, salas VIP e seguro viagem compensa se você usa de verdade.

Banco do Brasil Ourocard Visa Infinite

O melhor cartão Livelo do mercado, na minha opinião. Combina acúmulo forte com a flexibilidade da Livelo.

Por que se destaca

Livelo tem a maior variedade de parceiros aéreos entre os programas brasileiros. LATAM Pass, Azul TudoAzul, TAP Miles&Go, Emirates Skywards, e até transferência para Smiles. Com um único cartão, você alimenta praticamente todos os programas aéreos relevantes para rotas do Brasil.

Acúmulo

2,2 pontos Livelo por real em categorias bônus (viagem, supermercado, streaming). 1 ponto por real em demais categorias. O Banco do Brasil tem promoções periódicas que aumentam o multiplicador temporariamente.

Salas VIP

Acesso a salas Visa Infinite no Brasil (GRU, GIG, BSB, CNF e outros) e salas LoungeKey no exterior. Geralmente limitado a 4-6 acessos por ano dependendo da variante do cartão.

Para quem vale a pena

Quem já é cliente BB e quer maximizar acúmulo Livelo. A anuidade é menor que o Santander Amex e o acúmulo é competitivo. O ponto fraco: parceiros de transferência da Livelo são bons mas não têm a mesma qualidade premium da Esfera (não tem KrisFlyer nem Delta 1:1).

Bradesco Aeternum Visa Infinite

Outro cartão forte no ecossistema Livelo. O Bradesco investiu pesado nessa linha premium.

Por que se destaca

O Aeternum acumula 2 pontos Livelo por real em todas as compras -- sem categoria, sem restrição. Isso simplifica: você não precisa se preocupar com qual tipo de gasto rende mais. Tudo rende igual.

Acúmulo

2 pontos Livelo por real, todas as compras. Simples e previsível. R$10.000 em gastos = 20.000 pontos Livelo. Sem surpresas.

Salas VIP

LoungeKey com acessos incluídos (quantidade varia por variante). Acesso a salas Visa Infinite domésticas.

Para quem vale a pena

Quem valoriza simplicidade. Não quer ficar calculando qual categoria rende mais. Gasta bastante no cartão em categorias variadas e quer acúmulo consistente.

Itaú Personnalité Visa Infinite

O Itaú reformulou seu programa de pontos com o iupp. A transição gerou confusão, mas o produto atual é competitivo.

Por que se destaca

O iupp permite transferência para LATAM Pass, Azul TudoAzul e TAP Miles&Go. O acúmulo vai de 1,5 a 2 pontos por real dependendo do cartão e categoria. Não é o melhor acúmulo, mas quem já é Personnalité tem facilidade de acesso.

Acúmulo

1,5 a 2 pontos iupp por real, dependendo do cartão específico e da categoria de gasto. Cartões Platinum ficam no piso; Infinite chega mais perto do teto.

Salas VIP

Visa Infinite Lounge no Brasil. LoungeKey no exterior com acessos limitados.

Para quem vale a pena

Quem já é cliente Itaú Personnalité e não quer trocar de banco. O produto não é o melhor do mercado, mas é sólido. Se você já concentra seus gastos no Itaú, migrar só para ganhar 0,5 ponto a mais por real pode não compensar o trabalho.

Nubank Ultravioleta

O cartão que democratizou o acúmulo de pontos no Brasil. Sem anuidade absurda, sem burocracia de gerente de conta.

Por que se destaca

Custo acessível (R$49/mês ou grátis acima de R$5.000 em investimentos no Nu) e transferência para Smiles, LATAM Pass e Azul. O Nubank também permite usar pontos diretamente no NuViagens para reservas de hotel e passagens.

Acúmulo

1 ponto por real em todas as compras. Parece pouco comparado com cartões premium, mas a anuidade baixa muda a conta. Se você gasta R$5.000/mês, acumula 60.000 pontos por ano a um custo de R$588 em assinatura (ou zero se tiver investimentos). Compare com 132.000 pontos por ano no BB Ourocard a R$1.200 de anuidade -- o custo por ponto é parecido.

Salas VIP

Não inclui acesso a salas VIP diretamente. Você pode comprar acessos avulsos pelo app, mas não é um benefício do cartão.

Para quem vale a pena

Quem está começando a juntar pontos, não quer anuidade alta e valoriza a experiência digital do Nubank. Também funciona bem como cartão secundário para diversificar acúmulo.

C6 Carbon

O cartão que mais acumula por real gasto no Brasil, pelo menos no papel. 2,5 átomos por real em todas as compras.

Por que se destaca

2,5 átomos (pontos C6) por real, sem restrição de categoria. É o maior multiplicador flat do mercado. Parceiros incluem Smiles, Azul, TAP e Flying Blue.

Acúmulo

2,5 átomos por real. R$10.000 em gastos = 25.000 átomos. A transferência para parceiros aéreos varia: para Smiles, o ratio costuma ser 1:1 na base, subindo com bônus. Para Flying Blue, depende da promoção vigente.

Salas VIP

LoungeKey com acessos incluídos.

O porém

O C6 Bank ainda é menor que os bancões tradicionais. Limites de crédito tendem a ser mais conservadores. E o programa de transferências não tem a mesma frequência de bônus que Livelo ou Esfera. Se você acumula rápido mas transfere pouco, os átomos ficam parados sem render bônus.

Para quem vale a pena

Quem quer maximizar acúmulo por real gasto e tem paciência para esperar as janelas de transferência certas. Funciona especialmente bem para quem foca em Smiles (pela GOL) ou Flying Blue (pela Air France/KLM).

IOF e spread: o custo escondido

Todos os cartões de crédito brasileiros cobram 4,38% de IOF em compras internacionais. Não tem como fugir disso -- é imposto federal. Além do IOF, cada banco aplica um spread sobre a cotação do dólar comercial.

Na prática, quando você compra US$100 no cartão:

  1. O banco pega o dólar comercial do dia (digamos R$5,80)
  2. Aplica o spread (1-3%, dependendo do banco) -- vira R$5,92 a R$5,97
  3. Aplica o IOF de 4,38%
  4. Você paga entre R$618 e R$623 por US$100

A diferença entre bancos parece pequena em uma compra única, mas numa viagem com R$10.000 em gastos internacionais, pode significar R$200-300 de diferença.

Banco Spread médio estimado
Nubank ~1,5%
C6 ~1,5%
Bradesco ~2,0%
Itaú ~2,0%
Santander ~2,0%
BB ~2,5%

Esses valores variam e não são divulgados oficialmente por todos os bancos. São estimativas baseadas em comparações de faturas que eu e outros viajantes fizemos ao longo do tempo.

Estratégia: qual cartão para cada situação

Não existe um único cartão perfeito. A melhor estratégia normalmente envolve dois cartões.

Cartão principal (acúmulo + transferências): Santander Amex ou BB Ourocard. Um para Esfera, outro para Livelo. Depende de quais parceiros aéreos você mais usa.

Cartão secundário (compras no exterior): Nubank Ultravioleta ou C6 Carbon. Spread cambial menor, sem anuidade pesada. Use para compras do dia a dia no exterior e acumule no cartão principal para gastos domésticos maiores.

Cartão de entrada (quem está começando): Nubank Ultravioleta. Custo baixo, transferência para os principais programas, sem burocracia.

O erro mais comum que eu vejo é concentrar tudo em um cartão só. Quem usa o Santander Amex para tudo paga anuidade alta e potencialmente spread maior em compras no exterior. Quem usa só o Nubank acumula devagar. A combinação de dois cartões -- um premium para pontos e benefícios, um digital para uso no exterior -- costuma ser o melhor dos dois mundos.

Na real, o cartão ideal depende do seu perfil de gasto, destinos frequentes e quanto você está disposto a pagar de anuidade. Mas se eu tivesse que recomendar apenas um para quem viaja do Brasil para os Estados Unidos e Europa regularmente, seria o Santander Amex. Os parceiros de transferência são imbatíveis para essas rotas.